Corredores, Codinome Locura

Metades

metadesQue essa vontade de ficar e de te ter seja transformada na ansiedade e no desejo que vivo…
Que esse ir e vir em meu peito indo te oferecer amor seja ao menos o fogo saciado
Porque eu sou inteira você e a outra parte também…

Que a solidão que as vezes chega seja acalmada com sua lembranças.
Que eu mesma te represente em mim com as mãos…porque eu sou inteira o que fui com você…
e a outra parte o que você é em mim…

Que não seja preciso mais nada do que sua voz para me aquecer a alma…ou apenas a sensação de ouvi-la…o silêncio as vezes diz mais…
Porque eu inteira sou voz e a outra parte a música…

Que eu seja perdoada por amar…
e que eu seja tentada a pecar porque uma parte de mim eu sou inteira você e a outra metade também…

Que o meu coração fale tudo que eu calo…
para quando falar meu silêncio gritar mais…Porque eu sou inteira palavras e a outra parte seu grito…
Que meu medo de não te achar mais seja suprido por tanto que em mim você viver…Porque meu amor é isso tudo…
E até depois de minha morte é você.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

Nunca sei se é a palavra que chora,

 

Nunca sei se é a palavra que chora,ou se é o tempo que chove.
Ar líquido na memória recente, instantes plenos de Universo e nuvem.
Está a cair o céu em forma de água.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

Há um pouco de vida na minha criança de hoje,

m.bonifácia 007ela se contorce em sua alma de lata e se despe das ilusões obrigatórias.

Já não há mitos para eu imitar. Nem exemplo a ser seguido, a não o meu. Passo a passo, de que a esperança deve ser minha e não posso permitir que ninguém a destrua.

Já não há herói de roupa branca e estrela vermelha no peito e que me dizia que as coisas eram possíveis.
Já não são mais possíveis as coisas incríveis. Tudo virou comum e o herói, vilão.

Há um pouco de calma na minha esperança.
E a utopia de que um homem vira menino e ganha poderes especiais de sonhar e realizar já não é possível.
O homem já não é o que eu pensava. E o menino, cresceu e se transformou igual aos outros homens comuns.

Há um pouco de saudade na minha alma de criança hoje.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

O dia amanhece com as mesmas rotinas.

O dia amanhece com as mesmas rotinas.O sol escaldante de sempre. O céu azul sem nuvens, ainda. O pássaro que canta na mangueira do vizinho.
O gato que arrisca no telhado entre os latidos dos meus cachorros.
Tudo sempre quase igual, com exceção do visitante que chegou e ficou ali, entre o fio e o poste. Perdeu a casa, a árvore imensa que ficava logo após a curva do bairro vizinho. Derrubaram-na para uma nova construção. Veio ele espiar se a mangueira é um lugar apropriado para ele. Acho que é. Ali, na mangueira há sabiás, bem- te- vis, siriris com seus voos rasantes no céu atrás de algo que voa.

Assim, na manhã das rotinas de sempre eu espreito o visitante novo e converso com ele. Dou as boas-vindas e espero que amanhã, ele volte para que a rotina se repita.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

pela rota esquecida dos pássaros

pela rota esquecida dos pássaroseu te busco nas tardes rebuscadas de palavras.
Eles voam ao contrário na imensidão do meu amor
e as asas me carregam noite adentro  onde ainda não aprendi a voar

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

Os dias de Novembro nunca mais serão iguais.

Os dias de Novembro

Haverá uma melodia que tocará na mansidão das tardes.

Os dias de Novembro terão comoventes dias, só por causa dela e a leveza dos jardins em qualquer lugar do mundo tocará na brisa das flores a asa de uma borboleta.

É esse o toque que a partir de Novembro, os dias terão.

Terão nuvens de efeitos com coração e as palavras pronunciadas nas ruas serão declarações de amor.

As paredes, grafitadas darão nome ao meu amor.

Os dias de novembro nunca mais serão iguais e todos os dias, até as segundas-feiras mais monótonas se transformarão em domingos por causa dela.

E a folha suave servirá de leito e as cores passarão a ter efeitos dourados como se bordados fossem.

Só um outro mês terá o doce encanto maior que Novembro.

Dezembro será inesquecível.

E, depois os dias de Dezembro serão especiais.

Ainda assim, por causa dela.

Mariana Gouveia.

Corredores, Codinome Locura

Gosto de te ver calmo.

Gosto de te ver calmo
Voando, indo
gosto do bater manso
de tuas asas
e do calor com que me aquece

do jeito com que se aproxima
Eu me perco em teu vão
e já escurece
me acho só

e nunca te encontro
Te procuro na noite
e percebo que dormes
sereno, sereno sonhando

Eu me vejo voando
e busco teu voo
mas não te domino

sei tuas verdades
mas não te decifro
pois escondes com certeza

a chave do meu quebra-cabeça

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

as incontornáveis luas de junho

Incontornáveis luas de junho IA lua daquele dia não me sai da cabeça.

Ardia quase,chamando atenção sobre si.

Incontornáveis luas de junhoAinda a sinto tonta,vagando entre uma árvore e outra buscando espaço leve num telhado ou escondida por detrás de uma nuvem.

incontornáveis luas de junho IIIAinda a vejo quase disfarçando cores entre um pedaço do céu.

DSCF5836Ainda surge em fases diferentes e metade/cheia metade/vírgula e finda-se no horizonte.Me deixou cheiro de manhã orvalhada com sol desmanchando lágrimas nas flores.
Como as incontornáveis luas de junho buscando itinerários nos olhares teus.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

O ar tem cheiro de hortelã.

O ar tem cheiro de hortelã...ou borboletas.Não sei.

A cozinha é um pedaço da casa onde eu gosto de ficar.

Ali, tudo cheira a ela.

Uma mulher no canto me vigia mesmo sem presença física.

Converso com ela.

Ela reflete no chá que bebo.

Acho que de hortelã – não me lembro… –

Canto canções que falam de amor.

E entre as palavras a chamo.

E ela quer saber a noção exata do que sinto.

Ainda não aprendi a traduzir isso. Imito o vento.

Preciso de palavras novas. Mas, é sempre a mesma que me lembro de quando penso nela.

Encanto.

O ar tem cheiro de hortelã… ou borboletas. Não sei

Perdi um pouco da memória de mim.

Encontro-me nela e nesse vago encontro com a essência que ela deixou aqui…

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

Girassol plastificado

girassol plastificado 2

I

Um beija-flor veio beijar a flor

bem no meu quintal

Mas,foi mal…

O girassol plastificou

Por falta de amor ou falta de sol…

II

Eu não tive nenhuma alegria
depois daquele dia
que o beija-flor voou
e não mais voltou

III

Eu preciso de um jardineiro sim
Pra cuidar de mim e do meu jardim…

IV

Agora eu vivo sempre na janela
vendo a lua bela
em fase vírgula…

V

Da janela observo a lua
lembro que sou sua
e quero entender
o que fez o girassol morrer
se foi por você
ou pelo beija-flor que nunca mais voltou…

VI

As flores não perfumam mais
nem as estações são iguais
ao que era antes
do beija-flor voar
pra não mais voltar

VII

Os caminhos não trazem ninguém
e a lua vem,em forma de vírgula
num céu azulado

VIII

Eu preciso de um jardineiro sim
pra cuidar de mim e fazer brotar
o girassol plastificado

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PS:Como gosto de ser abraçada
Por estas coisinhas mínimas!

Mariana Gouveia