Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

b.e.d.a – Tenho um dragão de estimação.

A fresta da janela dava para o céu.
Dentro da noite, quando a lua acontecia
no ponto sul do quintal,
… invadia o meu quarto.
E alguns fenômenos estranhos aconteciam
no espelho do guarda-roupa.
O dragão das histórias ganhava vida.
E eu dormia abraçada com a lua.

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora
*imagem: Jade Danielle Smith

*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.


Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

b.e.d.a – Rituais

Quando pequena, aprendi a fazer certos rituais.
Cortar os cabelos para crescerem mais rápido.
E, nas noites serenas de sextas…
Acender a fogueira para revogar a graça de tudo,
e podia ser colhido.
Unir agulha,
linha e pano branco para cerzir as quebraduras

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora
*imagem: Ahndraya Parlato

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Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

b.e.d.a – Há asas espalhadas…

em tudo que é pouso,
havia um vento feito de dança.
O rádio tocava uma canção antiga.
Os meninos ainda na rua e o barulho da bola no muro da frente.
Na ponta do telhado, a lua segue seu destino. quase indiferente à saudade que arrasta o pensamento e o coração.

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora

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Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

b.e.d.a – em solidão peculiar

N’outro dia, ao atravessar a rua
– em solidão peculiar –
avistei um pequeno traço de lua no céu…
um risco prateado – o teu sorriso dentro da
imprevisível quietude das coisas

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora

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Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

Sobre a noite de sábado

“Gosto de me deitar
sem sono
para ficar
a lembrar-me
das coisas boas
deitada
dentro da cama
às escuras
de olhos fechados
abraçada a mim.”
Adília Lopes

Sou feita de abraços e de levezas e as palavras tem desenhado em minha memórias instantes únicos que completam meu estado de ser.

Talvez, mais do que ser feita de abraços que me envolve em energia, sou feita de momentos.
Na infância, lá em algum lugar de Goiás fui desejo de que minhas palavras ganhassem o mundo e com isso, eu levasse o amor para além de mim. Era apenas um sonho e que sob os olhos atentos de minha mãe se tornaram sementes e eu regava plantando letras em meu caderno velho. Era apenas um sonho.

E com o passar dos anos, posso dizer que nem nos melhores sonhos imaginaria a última noite de sábado.

O dia amanheceu leve e com o vento a balançar as folhas das árvores nas ruas de São Paulo.  Corredores era folhas em cima da mesa de Lunna e Marco Antônio (os realizadores do meu sonho) os idealizadores da Scenarium Plural Editora a esperar pela fita de cetim a juntar elas e contar uma história.

Entre o café da manhã e a noite se desenhavam emoções e abraços dentro do meu dia. Fui presenteada pela surpresa da presença de meu filho e nora a desenharem carinhos em mim.

O vento que antecipava a mudança da temperatura também me acolheu quando chegamos ao local do evento e depois de entrar pela porta, o que vivi foi pura emoção.

Corredores virava livro à medida que Lunna usava suas mãos de fada e juntava a fita ao papel e minha história se transformava em sorriso nos abraços trocados, nas conversas entre amigos antigos e novos.

E não era só Corredores que servia de ponte para braços estendidos e acolhida de amor. Ainda havia Obdúlio e seu Rua 2; Adriana Elisa Bozzetto e seu Verbo Proibido e a Revista Plural Clandestina com inspiração de Hilda e Clarice.

Sete Luas é um caso a parte, não fosse um caso de amor explícito em sete fases, com sete mulheres convidadas a escrever sob a regência das fases da lua!

Não fosse tudo isso da noite de sábado, ouvindo  o vento que batia nas janelas enquanto me dedicava a escrever carinho aos amigos, não fosse os abraços a aquecer a alma eu juraria que ainda estava sonhando.

Mariana Gouveia