Desvios para atravessar os quintais · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Em 2020 eu…

Resumir um ano inteiro e tão atípico em 6 fotos é um desafio. Eu poderia descrever cada mês com a mesma intensidade com que aconteceram os dias. Mas, até nossas vidas serem modificadas pela pandemia aconteceram encontros, abraços e risos.

A pandemia transformou meu dias em artesanatos, comida, livros, comidas, receitas, comida, fotografias, comida, caminhadas pelo meu quintal, comida, lives, comida, estudos, comida. Nuca estive tanto na cozinha como nesses meses.

Passei a acompanhar o por do sol do ângulo que o muro me permitia e os tons atravessaram os muros e fui brindada pela beleza. Tantas, em nuances e cores…

tantas em formas diversas e de alma.

Chorei perdas, sofri com números, usei máscaras, plantei flores e colhi tudo que plantei.
Aguentei desaforos, solidão, e escrevi…

Escrevi e lancei um livro: Desvios para atravessar quintais. Talvez não tenha conseguido passar nem aqui, nem no livro o ano diferente e assustador que o mundo inteiro viveu/vive… Mas, preferi encarar ele com poesias e é assim que esse projeto chega até você que me lê.

A possibilidade de uma vacina renova a esperança em um ano novo que chega. Não somos mais os mesmos. Não seremos. Há um novo tempo no ar. Isso causa medo e ao mesmo tempo me encoraja a acreditar. Enquanto tudo isso não chega, deixo vocês com a poesia:

“O cheiro da grama recém cortada dá a sensação de passado. A memória resgata lembranças que fizeram parte da infância.  Contei minha vida em carta. O rádio e sua maneira de resgatar verdades. Tudo acontecia no século passado. A música da sua vida na voz do locutor. As ondas gravitacionais fazendo com que a viagem seja feita passo a
passo. O porta-retratos guardando a família toda. Os que já foram parecem mais presentes ainda, mesmo depois de tanto tempo. O verbo era quase um propósito de espera. As ervas no jardim, criando sementes – as flores sendo colo para a vida – e da semente, a flor… fruto. O amor sendo a palavra feminina na cor. Era apenas o regresso de um mundo que sonha vontade.”

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6
Scenarium Plural Editora.
Se tiver interesse em meu livro novo, é só chamar (11)99241-5985

Participam desse Projeto:

Participação de 6 On 6 de:
Lunna Guedes — Obdúlio Ortega— Darlene Regina

Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

Dos verbos indefinidos

Traçou a rota do dia. Mudou as rotinas todas. Pendurou a asa no varal. Havia previsão de chuvas. A lua era apenas um risco dentro da nuvem. Um menino de cabelo laranja mudou o dia. Às vezes, o destino improvisa as coisas e as horas têm cheiro de frutas. As distrações traziam vontade em outros idiomas. Um sábio mudou para o endereço além das estrelas, enquanto guerreiros mudam rituais no dia. A paz pode ser descrita em um poema, mesmo com uma guerra interna sendo travada na alma. A sorte do dia sendo decifrada em um jogo de memórias. O riso encerra o abraço com a vida. A ignorância das marés criando hábitos em um dia marítimo. A fortuna chegando na flor de laranjeira. O verbo mudando o fim da página. Os elementos da loucura sendo refúgio para as noites do nada e a verdade desbotada no boato do que o olho criou e a paisagem é essa janela onde o vento bate.



Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais
Scenarium Plural Editora
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Ainda havia tempo para dor.

A cartografia da pele exposta… nervos e poros. A tintura feita a mão para contar as horas.

As portas noturnas acusando a solidão.  Cortinas sendo puxadas para o espanto da noite. Um corredor intenso onde o silêncio domina a janela. Lá fora, o vento úmido flagra uma ave solitária. As fotografias expostas em preto e branco. A ave, modulada no azul. Molduras descritas dentro da saudade. Tenho nas mãos as horas que antecedem a noite no improvável som de um pássaro mudo. A voz na garganta é esse grito onde a solidão encontra-se com a minha na esquina da rua de cima.

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais
Scenarium Plural Editora
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Tem a flor estampada no vestido…

o mês e seus dias de chuva atrapalham a visão da Lua. A rua de cima tem uma canção no repeat. Escrevo cartas pela metade. Folhas inteiras de frases inacabadas. A sensação de falta de ar no limite. O vento arrisca pela cortina e a solidão é esse emaranhado de ciclos repetitivos. A rua de cima tem dias de vazios nas árvores — cabia a brancura em qualquer canto — e as nuvens em espiral causando a plenitude do céu. Era uma vez, assim, a vontade de ser. Tem dia em que as histórias ficam sem o final.

Desvios para atravessar quintais.
Lançamento 28/11 em uma live via Facebook pela página da Scenarium. as 17 horas (horário de Brasília).
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Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

O meu diário

Sábado, dia 28 de novembro de 2020, acontecerá o lançamento do meu quinto livro Desvios para atravessar os quintais, dentro do Projeto Diário das Quatro Estações, pela Scenarium Plural Editora. O lançamento será de forma on line, pelo facebook da editora, por causa da pandemia.

No formato de um diário, fui escrevendo durante os dias dando voz ao que senti. É quase uma confissão de sentimentos, emoções e, momentos. É o meu diário.

“Escrevo o roteiro da viagem e coloco nome nas coisas que toco — dou a tudo isso o nome de poesia. Canção que se repete em mim. O gosto de férias se aproxima e a rotina ganha anotações diárias. Faço listas, cumpro metas. Jogo fora lembranças que só aumentam a bagagem… Preparo sementes para jogar nas estradas. Refaço planos esquecidos…
Hoje, posso mais… varrer as folhas, aspirar as flores, beijar os cães — me imunizo das vontades todas. O sorvete de pistache tem outro sabor… quase uma rusga de felicidade. Houve mudança no tempo. A estação emite sinais. O vento antecipa a queda da temperatura e a febre é só um presságio na ave que beija a flor. Guardo os mapas e recrio instantes que ainda vou viver… “

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais.
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 17 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

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– Sou eu ali naquelas linhas

Quando o olhar atravessa os muros e o lápis ganha contornos de confidente, sou eu ali naquelas linhas…

– A noite se recolhe gesto… acolhe a geometria das horas e o signo ascendente. Desenho histórias vividas através dos acontecimentos inéditos. Era lua de se perder, em algum lugar. Ninguém sabia os caminhos das rotas e os retornos nos devolviam sempre para o mesmo lugar no mapa onde atalhos não são traços possíveis. E são o melhor da viagem, que começa do lado de dentro. Descubro que o meu nome se repete em outras pessoas, com sonoridade nova. Sou duas e ao mesmo tempo: uma… dentro da minha solidão. E em meio a perguntas que ficam no ar, brinco de roda com o dia porque se existe a lua de se perder na aldeia, existe também a de plantar, cortar o cabelo, de pescar e catar ervas. Qual delas eu sou enquanto escrevo? –

Sou tantas que se misturam em uma só e viaja além do tempo, volta ao passado para viver as lembranças dos momentos e me derramo junto às palavras para então encantar com as coisas miúdas do quintal, com as asas em pleno voo dos pássaros.

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais.
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 17 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

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Aden Leonardo também escreve diário

Sim, a Aden Leonardo também escreve diário e escreve com jeito de quem brinca de viver ou de morrer. Aden é ácida, é doce, é amarga, é agridoce.

Varanda para abrigar o tempo é um diálogo solitário com as páginas. Aden Leonardo é um instante que dura a vida inteira. Quase sem pressa Aden se faz dentro dos dias e das estações.

“Um dia qualquer, você vai beber água e na sua sala um Benito di Paula vai tocar num piano de cauda um samba triste.
Só então você vai prestar atenção.
Que a sua vida estará sempre entre os dedos de um artista antigo. Se você merecer, claro, vai ouvir e chorar.
Porque tudo dura apenas alguns minutos. E é muito bom.”

Aden tem um quê de mistério que gosto de tentar desvendar e estará junto comigo, Roseli Pedroso e Lunna Guedes no lançamento de nossos diários em uma live via Facebook pela página da Scenarium. No dia 28/11/2020, às 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda.
É só chamar (11) 99241-5985

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Roseli também escreve diário

Quando recebi o convite para escrever o diário, dentro do Projeto Diário das Quatro Estações fiquei feliz ao saber que teria a companhia de mais três autoras. Cada uma com sua especificidade e hoje apresento para vocês, Roseli Pedroso.

Sim, a Roseli também escreve diário e generosa deixou que outras mulheres assumissem seu diário: Carminha, Lígia e Verônica. Ao longo dos dias, semanas, meses, cada uma desfilou através de suas confissões, o rumo que suas vidas tiveram. Tudo isso se transformou em Equação Infinda.

Sempre retorno à escrita quando a situação aperta. Esse exercício me conforta nos momentos de crise.
Minha trilha sonora, hoje, The Pretenders, cantando I’ll stand by you. Vamos combinar que até para sofrer tem-se que ter classe.
Tenho perdido muitas pessoas queridas para essa praga que toma conta do planeta: AIDS. Ontem enterramos o Glen, colega de longa data. Rapaz alegre, brincalhão, uma fera na tecnologia e um excelente dançarino.

Roseli tem uma lindeza na escrita e interpretação e estará junto comigo, Aden Leonardo e Lunna Guedes no lançamento de nossos diários em uma live via Facebook pela página da Scenarium. No dia 28/11/2020, às 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda.
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A cidade de minha escrita

A cidade que escrevo em meu diário atravessa a rua de cima e me leva para além dos limites dela…

A minha escrita caminha por tantas cidades dentro de uma só e não só por ela. Mas dela, eu cito o sol que se põe… a lua mais brilhante e dos desvios sobre os quintais e seus telhados antigos.

Mais do que uma cidade, uma legião delas me inspiram… inclusive, até as que nunca visitei. Mas, quando o sol se propõe a oferecer um espetáculo diferente todos os dias.

“A minha rua tem uma cidade vazia… cheia de casas sem habitantes e com quadros ocos. De vez em quando, peregrinos com ideais de sonhos cruzam por ela. Atravessam seus muros e plantam nos quintais – chegam a abrir as portas e janelas – mas logo vão embora deixando as casas mais vazias ainda e as aves desabitadas penduradas em galhos secos de árvores sem cor. As estações acontecem dentro das horas do dia. A primavera se perde no calor imenso que queima tudo. A minha rua tem uma cidade em ruínas e essa solidão imensa sem você. Nos quintais a esperança foi moída e os mitos que cuidavam dos jardins se desmitificaram todos. A solidão da minha rua tem tatuagem da presença de alguém. Tatuagem desbotada, igual aos grafites feitos nos muros tortos da minha cidade. Tem a maresia rasgada em mil pedaços dentro da noite e tem a vitrola antiga a entoar fados só para registrar que o mar é logo ali, além da esquina.”

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais.
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 17 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

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O que eu escrevi em meu diário

No meu diário falei sobre os rumores dos dias dentro do que eu vivia ou imaginava. Muitas vezes, vesti a solidão das pessoas e escrevi:

“O homem da esquina contou sobre o pássaro solitário. Nunca havia motivo para voo, nem pouso. Falou que ele ficava ali, parado sem nenhum motivo aparente de alegria. E
que a missão dele era encaminhar aves sem rumo. Que a maçaneta da porta da casa azul foi ele quem fez. Que o pé de amoras foi plantado no quintal em um dia de chuva e que ele ficou ali, com o céu a derramar a água e o cheiro de terra molhada a invadir as janelas onde violetas brotavam… Que a água foi dando vida entre a raiz e a terra e que
naquele dia desejou o pássaro para ser parte da árvore que nascia, pois pássaros nascem para pousar em galhos, onde frutos oferecem o universo no sumo e não para pousar em fio, seco, sem vento, suporte ou sem algo para a fome. Desenhou para mim as palavras dentro do mesmo tempo — a ave e a árvore. Os dois. Entre o reencontro e a perfeição.
Que era assim que tinha sonhado e que passaria a vida inteira a ser ponte para asa e
pouso. Havia quem dizia que era doido — o homem — e que o sonho era tão maluco
quanto ele… Eu, apenas imaginava que não importava o que falassem dele porque
dentro dos olhos dele o céu criava jeito de espaço e morada para pássaros sem árvores.
E que das mãos dele, com instinto de cansaço ainda continuavam espalhando sementes
em dias de chuvas. Em cada dia ele repetia a história… com uma ave diferente, uma
árvore nova e seu quintal se juntava ao meu, em oração pelas aves sem árvores e ele
criava dentro de sua história, um motivo para viver.”

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais.
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