Acho que foi em setembro quando os dias ganharam contornos de asas. A folhinha do calendário soltou-se – nem dava para saber que lua era – e o céu era povoado de flores.
Sabia apenas que ainda não era primavera, apesar das flores dos ipês mostrarem o contrário e tudo doía feito osso quebrado – na alma – e confundi a canção na voz estranha da cantora favorita.
Acho que foi nesses dias em que antecedem festas. Aniversário de alguém, sei lá! Só sei que me perdi terrivelmente dentro do dias e fiquei apenas sendo vazio sem você e quando vi os corações nas paredes, quase apagados e os corredores com a solidão do seu nome onde a lua em meus dedos escreve o amor.
Mariana Gouveia









