Desde pequena queria escrever um diário. Fazia isso em tudo que podia. Papel de pão, folhas pela metade. Não podia estragar os cadernos de escolas com bobagens – alguém dizia.
A mãe a incentivava a escrever tudo que via. A ver a miudeza das coisas e foi por ela que passou a encantar-se com os insetos, os animais – mesmo aqueles que todos os irmãos tinham medo. Era registrar o dia em palavras: Hoje havia visto o sol e por ali, descrevia o rumo das cores que debruçava sobre as nuvens, o calor que aquecia a pele e até mesmo o impossível amor dele, o sol, pela lua.
Descobria a singeleza das coisas no construir das moradias dos insetos. Da formiga que embrenhava terra adentro com seu caminhar incessante pelo mato, pelas folhas;
da borboleta que fazia seu casulo na folha da couve e no marimbondo que pacientemente construía seu castelo.
A mãe lia as histórias como quem desvendava sua alma e seu riso era a parte mais linda do dia.
Mariana Gouveia

Essas mães que incentivam as filhas, ai ai ai
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Herança, dizem… rs
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