A mão dela me trazia barulho do mar. O braço ondula silêncios da tarde Sombras tatuam melodias no vento – que venta – e desmancham sob os cabelos dela… não sabia extrapolar as coisas – dizia – era feita de matéria perene, ela – a que eu criei. A outra – a de verdade – quebrava regras. Falava alto nas bibliotecas… declarava amor nas livrarias. Chegou a declamar poemas ao lado da placa – PROIBIDO FALAR AO TELEFONE – e pisar na grama desajeitadamente, sob os olhos da viatura oficial da polícia. Há sonatas que a areia descreve… E escreve. O riso dela tem qualquer coisa de ave que voa… Leva na mão o carinho portátil, desse pronto para o uso. Mesmo quando meu silêncio ruge feito fera. Tem a delicadeza do poema no verso. Usa quando tomo um chá de sumiço. Mal sabe ela que toda noite, eu olho para o céu e a encontro em uma constelação ou em um pouso rumo ao coração.
Mariana Gouveia
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.
