das coisas breves

Beda – Medo da noite.

Ph: Steve Gindler

Tinha medo da noite e era dia. Vasculhava as paredes todas atrás de lembranças. Buscava as digitais dela nos objetos que tocou. Na parede, do lado esquerdo da porta, as horas sem ela corriam ligeiras. Voavam feito aves no céu. Em algum canto, rabiscou um coração com o nome dela e foi nesse momento que um arco-íris cruzou o céu de ponta a ponta. Era quase imperceptível. Mas parecia ter zoom ao olhar para a parede do lado esquerdo da porta, quando via as horas a voar e o vento agitava a cortina. De noite, parecia que as asas brilhavam e dançavam saudade olhando para ela. Por isso, tinha medo da noite.

Era quando os fantasmas surgiam em forma de asas.

Mariana Gouveia
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.

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