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Domingo, 24 — *Eu sou uma verdadeira marinheira,  olhar atento, no barquinho que vai pelo fluxo da água.

* quote extraído do Coletivo Ao vento, todo dia — da prosa de Rozana Gastaldi Cominal

Ph: Anja Stiegler

Quebrou o espelho de mar, faltou o ar da maresia. Os peixes perderam o medo da ave marítima – me tornei alma errante em um céu de falta – com medo de esquecer seu nome repito todo dia quando acordo – rezo ele ao meio-dia – e resmungo ele na noite, quase em sono, sonho. Conto minha história em poesia diária. Esse rasgo de água, que me engasgo cada vez que bebo. Uso o amor como se fosse a origem da sede. Devo confessar que quase morri de abstinência.  Isso de falta devia ser proibido mesmo… quebrar essa regra devia causar afogamento no mesmo mar. Meu rio não conhece outro destino que não seja o de ir ao encontro do mar. Eu sou uma verdadeira marinheira, olhar atento, no barquinho que vai pelo fluxo da água. Sabe a sal a lágrima que cai. As orações saem como se fossem declarações. Vivo mil anos em uma hora. Tudo esse tempo obscuro que a hora asfixia no vento. Vivo como peixe de aquário que sonha a liberdade da correnteza. A regra da manhã é a pele descamando de amor.

Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais

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