Anoto em uma carta as frases que diria: as sombras na parede espantam a solidão enquanto o sol aquece os corredores vazios. O jardim envernizado com flores de plástico esconde a parede oca para o futuro do nada.
Descobri casas abandonadas na minha rua… cada uma grita um nome quando a noite cai. Hoje é dia de vermelhecer em algum canto do mundo. Os intervalos entre o vento e o muro é o calor.
Alguém canta na redondeza.
Contam histórias de horóscopos e tarôs.
Vejo as constelações todas num céu sem nuvem… o rumor da pele desenhando tatuagens. Misturo os assuntos e rasgo a carta.
As frases ficam soltas em uma estrada diferente da outra. O mar afasta a possibilidade de escolha.
Em algum lugar, a estrela fica fora do céu. O vermelho ao meu redor é apenas a vontade de estar onde não estou.
Mariana Gouveia
Desvios para atravessar os quintais
Scenarium Livros Artesanais
