Afetos · Das palavras das cartas · infinitamente

Pai

Pai,

Hoje é o primeiro aniversário seu sem você por aqui. De repente, percebo que não vou poder mais enviar a carta para o locutor da rádio local ler para você nesse dia. Posso eu mesma ler em alto e bom som por aqui.

Agora, a linha é direta com o universo e nem preciso mais de dia especial. Várias vezes, me pego te perguntando sobre coisas que só você sabia me responder. E nem vou saber mais sobre a colheita do algodão. Nem de sua fala dizendo que o campo parecia um véu de noiva de tão branco.

Aqui, as coisas continuam iguais você deixou. Ainda irei juntar as memórias, as malas antigas, as fotografias e passear pelos lugares que a gente já foi juntos. Guardar o ferro de passar, o moedor de café e a xícara esmaltada que você tanto gostava.

Eu sigo firme por aqui, pai… embora cheia de saudades… que seu voo tenha alcançado a paz dentro de sua fé.

Te amo sempre!
Feliz aniversário!

Mariana Gouveia

10 comentários em “Pai

  1. Estamos passando pela mesma situação por aqui, mas ainda não tivemos o primeiro dia dos pais nem o primeiro aniversário. Com o tempo ficam só o legado e as boas memórias. Me vi muito agora no seu texto, mesmo sendo tão pessoal e uma experiência tão sua. Um forte abraço.

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    1. As boas memórias sempre ficam e é elas que nos carregam vida afora. Espero que a saudade fique leve com o passar do tempo. Meu abraço carinhoso para você e os seus.

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  2. Que dia marcante 3 de junho! Se minha mãe estivesse viva, iria fesejar com a gente os 80 anos. Mas ela partiu há 8 meses. Em sonho ela vem me ver, conversa comigo e destila um tom ácido que nunca fez em vida… aprendeu comigo e eu estou aprendendo a conviver com presença que fica… saudades… abraço imenso, sua maravilhosa!

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