Eu nunca fui mulher de seguir as tendências da moda. Gosto de listras, de xadrez, do vermelho e de poás e não sou do tipo que usa maquiagem. Eu até tentei, mas não me entendi com as cores. Fiquei apenas com o batom que uso vez ou outra. Mas com os meus cabelos, o papo é outro… Já foram castanhos, loiro, vermelho em várias tonalidades, cobre… e o branco natural – em transição.
E quando meus cabelos começaram a cair, devido a um tratamento, eu finalmente entendi a minha vaidade. Não foi fácil vivenciar o processo da queda. Mexeu muito comigo. Mas eu superei e optei por mantê-los curtos e não mais pintá-los.
E vieram as críticas…
Feitas em sua maioria, por outras mulheres, que fizeram questão de fazer suas considerações – tão cruéis quanto a doença que atingiu meu corpo. Mas para quem venceu um câncer, o que são meia dúzia de vozes contrárias? Levantei a cabeça, equilibrei os ombros e dei o meu poderoso grito – imitando a personagem de Tomates verdes e fritos – e saí pisando com as pontas do salto imaginário por aí.
É muito bom esmagar cabeça de cobra
Eu recomendo.
Aposto que é o que Janja – nossa primeira-dama – faz, ao ler as críticas direcionadas a ela. Durante a posse do presidente Lula, ela apareceu com uma roupa feita com crepe de seda vintage, tingida naturalmente com caju e ruibarbo, e bordada com palhas brasileiras.
Recordei a minha infância na hora, quando minha mãe tingia os tecidos com o que catávamos na natureza e aplaudi todas as referências brasileiras, minhas e de tantas outras mulheres. Elegância não tem relação com estilo, como querem nos fazer acreditar. Trata-se das nossas atitudes e personalidade; algo que sobra em Janja, alheia a protocolos e que já disse se vestir com o que se sente bem. E que falta em muitas mulheres, que deveriam fazer o mesmo que eu fiz: dar um grito de independência a la Evelyn Couch. E se você não a conhece, é sinal de que está gastando muito tempo com a vida alheia e deixando a sua, de lado.
Mariana gouveia
Coletivo de Crônicas (In) discreta
Scenarium Livros Artesanais
Organização – Roseli Pedroso

Uma boa crônica pega o leitor é nos comecins. Aliás, excelente o texto e, ó pecado meu, também não conheço Evelyn Couch. Já disse que achei o texto excelente? Não? Deveria ter dito.
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eu já estava com saudades! estava sim!
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Evelyn Couch é uma das personagens do file Tomates verdes fritos e se você não viu o filme, deveria pelo menos tentar fritar os tomates verdes. Ficam deliciosos. Se precisar da receita, me avise, que te envio. Abraço carinhoso de saudades.
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