Scenarium Livros Artesanais

16 – adiei o máximo que pudesse o momento-sensação de desespero

O fogo ardeu dentro do sol. As labaredas alcançaram o cerrado e a fumaça, o céu. O boletim do tempo atravessou a meteorologia.  O paraíso tem as chamas dentro das folhas. Havia o dia de amanhã na espera do beijo. O coração gera a expectativa de canção. No verso do poema sua mão sobre a minha onde chuva promete coisas desavisadas que não acontece.
Fala de flores que nascerão no cerrado cinzento e de frutas temporãs de um mês que queima em uma invasão antecipada de outra estação – a chuva da estação era presságio de colheita – o verbo mudado para o instante seguinte. A direção errada de uma nação sem coisa nenhuma.
Tudo muda o sentido das coisas quando o arder também invade a alma. 

Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega 

6 comentários em “16 – adiei o máximo que pudesse o momento-sensação de desespero

    1. Lendo seu comentário, nem parece que isso foi a três anos. Parece que foi ontem. Nada mudou. Ou melhor, muita coisa mudou e outras continuam iguais.

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