Scenarium Livros Artesanais

14 – caminhei até a porta e sai para sempre

Ph: Ziqian Liu

Às vezes, me lembro que só tenho doze minutos por dia. Esses minutos entre o respirar e as gotas, sempre as últimas – para na manhã seguinte a tela se abrir e anunciar nova programação – que caem trazendo os sintomas que quero esquecer. Não veio nem o sim nem o não. Apenas essa distância infinita, além do muro – e a dureza do cimento e a frase escrita, sangrando os dedos. Apenas esse infinito presságio de que a asa calada já não é mais parte minha. De meu, só os doze minutos e essa porta fechada e a lembrança do pedido do “não me fale mais” quando o sangue na artéria rememora o magna dos que esperam sem expectativas. Gostaria de te amar um pouco menos e talvez não quebrasse as paredes e nem esperasse a primavera chegar. O relógio conta os segundos que restam… As aves fogem das mãos… o vento traz o calor intenso da febre – e do tempo – e a solidão que amarga na boca, a ausência. O silêncio é essa vastidão de memórias na alma desde sempre, dos séculos onde as histórias foram escritas e descritas como poemas de amor. … e a porta que se fechará mais uma vez, como se fosse a última…

Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

6 comentários em “14 – caminhei até a porta e sai para sempre

  1. Leitura num dia quente e a mente foi para longe, enquanto a moça amassa os meus pés como se fosse ingredientes numa travessa para uma receita de pão, olho pra a parede verde do lugar (um verde meio pálido) e procuro por um marcador de tempo. Tudo que há por aqui são portas de emergência e uma arvore de natal. Nem posso sair correndo porque o pé pediu cuidados nesses dias quentes. hunft

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  2. eu fui ali cuidar do pé, depois de uma topada sem querer na tampa da caixa de cimento. Para não dormir, vasculhei coisas de tempos atrás e que não respondi. Estou cá, quase passando da hora de dormir, com a moça cuidando do pé – por milagre atendeu o telefone – e lá se foi uma unha. É muita normótica essa dor…

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