Corredores, Codinome Locura

a alma inventada na rua do nada.

Eu invento a Rua de cima… finjo que o silêncio quando ecoa, faz um barulho ensurdecedor! Na rua de cima tem as meninas que cuidam da beleza. Colocam nos dedos, a cor. Tem cada nome o verniz que a moça de cabelos vermelhos desenha na unha. É quase uma tentativa de colar jardim nas mãos.

A árvore que fica além da esquina, floresce. Lá, de noite, eu consigo ver as estrelas todas. É quase vertical, o portal. Os muros altos e as trepadeiras invadem as casas com suas cores insanas. Essa rua, inventei em detalhes. As casas e suas cores vibrantes cheias de sons.

E a vida acontece dentro dessa invenção. A estação acontece dentro das horas. As fotografias do instante sobre o muro. O voo dos pássaros a cruzar a linha imaginária que invento entre uma rua e outra. Tudo ímpar. Os números da rua a combinar com as casas.

A sorte desenhada nos trevos e a alma inventada na rua do nada.

Mariana Gouveia

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