Não cabia na palma da mão a audácia do voo e o casulo abriu-se…
o som e a briga constante com o silêncio. A vontade absoluta de nada. Vidros partidos na reza silenciosa de agora.
Os estranhos se misturam à paisagem do dia e perdem o nome à medida que o tempo avança. Enquanto caminho, penso no cachorro perdido que nunca mais vi… Na rota da fuga, uma estrela desavisada. O moço da bicicleta perdeu-se na cidade encantada. Mandou postal da nuvem que desenhei de madrugada.
Vem a coragem lavada na calçada sem flores. A mariposa voa em volta do lume da rua de cima. Busca a própria solidão em asas. O pé de frutas socorre o faminto.
A rua ecoa meus passos. Era quase isso no ano que acabou ontem… escrevi duas cartas na memória. Nota mental de quem sufoca o grito.
Tenho fé imensa em quem acaba de nascer com asa na vida.
Mariana Gouveia
