Corredores, Codinome Locura

 Temos tão pouco tempo tão pouco sonho tão pouco

Às vezes, me lembro que só tenho doze minutos por dia. Esses minutos entre o respirar e as gotas, sempre as últimas – para na manhã seguinte a tela se abrir e anunciar nova programação – que caem trazendo os sintomas que quero esquecer.

Não veio nem o sim nem o não. Apenas essa distância infinita, além do muro – e a dureza do cimento e a frase escrita, sangrando os dedos. Apenas esse infinito presságio de que a asa calada já não é mais parte minha.

De meu, só os doze minutos e essa porta fechada e a lembrança do pedido do “não me fale mais” quando o sangue na artéria rememora o magna dos que esperam sem expectativas.

Gostaria de te amar um pouco menos e talvez quebrasse menos as paredes e nem esperasse a primavera chegar. O relógio conta os segundos que restam… As aves fogem das mãos e o vento traz o calor intenso da febre – e do tempo – e a solidão que amarga na boca, a ausência.

O silêncio é essa vastidão de memórias na alma desde sempre, dos séculos onde as histórias foram escritas e descritas como poemas de amor.

… e a porta que se fechará mais uma vez, como se fosse a última…

Mariana Gouveia

3 comentários em “ Temos tão pouco tempo tão pouco sonho tão pouco

Deixe um comentário