Quando ia imaginou o caminho da volta. A ave da sabedoria desenhou a rota em seu voo. Virou o corpo para ver o mundo de pernas para o ar. Viu pirueta no riso das crianças. O cão que gosta da rua escala o muro em sua fuga. Tudo é rota enquanto explicou o sentido da asa. Contei histórias de princesas para quem já é uma – três já são – e as outras cabiam dentro do abraço.
A chaleira apita quando a água aquece e o cheiro do chá invade os quintais.
Às vezes, aqui, a terra se contorce debaixo dos pés; dizem que há um epicentro uns tantos de mil metros abaixo… e eu fico a pensar que a terra também sinta tremura e se a ave voará assim que sentir o tremor. Invento outra história enquanto a xícara pousa em um pires – elas, as meninas não se impressionam – fazem parte do conto de fadas ou não sabiam? Digo que a Branca de Neve nasceu Maria e que o brigadeiro tem a cor doce da Manu…
E a princesinha tem uma pulginha no riso da Bianca. Crio o vento para falar outra vez de asas. Penso de novo no que faz tremer o chão e se a terra também agita, vale a pena ensaiar o destino de voos e preparar o corpo e a mente para prevenir os ritmos sísmicos das histórias.
As meninas voam dançando.
Mariana Gouveia

🧡
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Cris ❤
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👏👏
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Thanks!
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☺️read my blog
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