Corredores, Codinome Locura

 e de vez em quando, de tarde, é noite.

A vida aconteceu ligeira do outro lado da esquina. Faltava luz no céu enquanto a instrução musical era ensinada na sala oval.
Os acordes monocórdicos rompiam o silencio da tarde que não chovia – o eco do pássaro na árvore seca de folhas. Alguém chorou a lágrima mais bonita do canto do olho.
A vida é assim quando se ganha a palavra liberdade – que no fundo, prende mais do que as gaiolas que sempre denuncio no meu vizinho …
Pássaro que ficou tempo demais fechado tem medo do voo. Sai arrastando.
Mas minha mãe, quando viva, dizia que tudo é questão de costume. E nada como um dia atrás do outro. Na praça, daqui alguns dias haverá apenas crianças e isso te fará sorrir.
Eu já vi um filme igual a esse e posso dizer que estou gostando do final, se é que chegou o fim.
A moça de branco tratou da minha noite como se fosse dia – disse até que foi uma calmaria – e que sabe cuidar de louca como poucas.
O medo faz o universo conspirar para o vento derrubar as folhas que não havia e de vez em quando, de tarde, é noite.

Mariana Gouveia

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