Corredores, Codinome Locura

Bebe-se a coragem nas gotas de chuva

Vibrou com a intenção das sementes. Nasciam flores mortas nos vasos pendentes na varanda. Virou o calendário para o mês do amor, refez o mapa astral mais uma vez.

Depois da chuva o sol veio dourando tudo que é flor.
Aspirou poesia nos livros que leu. Bebeu o ópio das viagens secretas. Lavou a tarde dentro da água que colheu na chuva.

Rabiscou as palavras de cartas escritas na mente e o papel aceitou a certeza do verso.
Tocou a pétala da flor dentro da pergunta. Ainda cabia o toque nas horas tardias em que o amor sorriu de novo.

Registrou para sempre a essência do dia nas fotografias penduradas no varal.
A lua se fingia de sol em meia fase dentro do giro e no começo da noite migrou-se para dentro de sua própria solidão.

Mariana Gouveia
dos dias diferentes dos outros dias

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