Não fosse eu esse rio,
que deságua em meu peito
Morreria todo dia
feito flor no deserto
e com a solidão dos quintais.
não fosse eu esse céu,
as asas…
sem o dom de voar
enquanto espero o ônibus da linha 508
as ruas ganham o vento de companhia
e na calçada
o cacto de tantos anos que floresce…
não fosse eu a cor…
desbotada, sem realces e tons
o sabor da invenção das palavras na boca
tal qual um beijo que nunca veio.
Solidão.
Não fosse eu,
seria o perfil de uma casa que
não lembro mais o nome.
Mariana Gouveia
Poema publicado no Projeto Coletivo Ao Sul de Nenhum Norte
Scenarium Livros Artesanais
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Participam comigo:
Lunna Guedes – Suzana Martins – Roseli Pedroso – Obdúlio Nunes Ortega

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