Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Um caderno que colecionava

relatos de personagens antigos
Suzana Martins – As estações

Su,

a sua poesia me fez reverberar aqui e juntei minha memória com a tua. Fiz uma pausa dentro do aconchego de suas palavras e me permiti ‘folgar’ em uma tarde quente e abafada. Peguei as caixas, os baús com as cartas e os cadernos antigos, sentei-me no chão na varanda e espalhei fotografias e lembranças. Aspirei saudades e nostalgia.

Sabe, Su, eu ainda tenho os cadernos onde eu escrevia minhas coisas. É quase uma espécie de diário – vários – onde eu escrevia histórias, poemas que eu gostava de algum autor favorito e coisas sobre os personagens que me rodeavam. Eram tantos! Cada um com sua peculiaridade e encanto.

Algumas fotografias amareladas pelo tempo, os irmãos mais novos retratados nelas e o cheiro de um tempo que fica grudado na gente como se fosse o perfume das memórias. Tudo parece se encaixar dentro de seu poema e o afeto aquece meu coração.

O céu a desenhar outono
memórias de final de tarde
espectro detalhes
âmbar
a saltar
as letras furtadas
de um caderno
que colecionava retratos
de personagens antigos

Eu apenas suspiro, Su e te reverencio na docilidade de me integrar com suas palavras como se com isso, eu pudesse sorver o tempo passado. Sabe o mais engraçado, Su? É que de repente um vento sopra, o poema ganha vida e um dos personagens antigos te liga do nada e fala sobre a saudade. As frases vão ganhando contornos de reencontro. O cheiro de pipoca vindo de algum vizinho…. Lembra-se das pipocas? – e as lembranças se misturam, unas. Tem até a canção antiga cantada no refrão.

Nesse momento, Su, eu apenas lacrimejo os olhos e agradeço o universo tão único no jeito de me ligar as pessoas. Seja de um tempo antigo, ou seja, de agora. Assim como você. Peu Pte Pa Pmo ❤

Grata por isso!
Te abraço!

Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

13 comentários em “Um caderno que colecionava

  1. Uma narrativa circunstanciada ao passado .Cores amareladas que acordam de aparente esquecimento .” um dos personagens antigos te liga do nada e fala sobre a saudade. As frases vão ganhando contornos de reencontro. Ao ponto de até cheiros trazem o passado de volta . Assim o afeto circula de vida . Excelente momento de hospitalidade à vida julgada adormecida na cor amarelecida . Maria

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  2. Minha menina Mariana, senti o cheirinho de pipoca aqui!!! ❤

    Que delícia receber a sua missiva. Confesso que é completamente viciante. A doçura das tuas palavras abraçam o meu dia e fico aqui a suspirar por todos os cantos do quintal!!! As tuas nostalgias abraçam memórias minhas e personagens seus que mesclam com os meus. As fotografias a enfeitar a casa e todas as lembranças.

    Ah, menina Mariana…

    Peu Pte Pa Pmo!! ❤

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  3. Enquanto lia você, navegava por um silencio gostoso aqui. Ainda é cedo e é domingo, por isso, está tudo calmo. Há um pássaro que canta ao longe e outro que visita a varanda. Em 2023 eu quero voltar a ter um caderno, mas não sei se optarei por isso porque eu tive vários nos últimos anos e acabaram com as páginas arrancadas e o caderno guardado dentro de uma caixa. E dá trabalho lidar com a transferência das páginas para outras. rs

    De qualquer maneira, pretendo voltar a escrever aos sábados a partir e janeiro. Já estremeceu tudo aqui dentro. rs

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