Isís,
Haverá um dia em que você dirá que a solidão tem a cor dos ipês da rua de cima? Eu sei que sim… E sei também que nesse dia marcará em seu diário que o silêncio é quase esse poema de Emily:
Grandes ruas de silêncio
levam aos arrabaldes da pausa –
aqui não há novas – dissídios,
nem universos – nem leis.
No relógio era manhã, p’la noite
Distantes sinos dobravam –
Aqui não têm base as épocas
para o tempo ser passado
Lembro-me de que me disse uma vez que seu diário é marcado por reticências… essas, representam por vezes coisas que você quis dizer e que guardou antes de pronunciar ou escrever.
Sabe, Ísis, a rua de cima fica em silêncio completo lá pelas duas da manhã. Nem o gato da vizinha da casa ao lado mia, nem o cão da casa da frente ladra, nem o bebê que nasceu há dois dias da casa amarela chora. Eu já estive na rua de cima as duas da manhã. Lembro-me de que fiquei sentada em sua calçada alta e deparei-me com sua janela iluminada. Foi em uma das noites em que perdi o sono e meu muro me deixou sem ar.
Lembra que eu te disse que as flores dos ipês quando caem fazem silêncio, como se segurassem a dor de se despetalarem? Você riu, Ísis… e seu olho brilhou como se tivesse descoberto suas reticências em forma de poesia.
Eu aprendi a falar com você pelo olhar. Te vejo sempre desde os cinco anos e aqueles bloquinhos que a gente anotava conversas e memórias deu lugar aos sinais pelo olhar. Minhas mãos demoraram para entender a libra e o silêncio nos aproximou.
Você diz que eu te levei a poesia e eu digo que a poesia me trouxe você e que aquela menina que se encolhia quando alguém se aproximava, hoje é portadora de risos que abre portas.
Hoje, Ísis, quando penso que você vive em um mundo de silêncio também sei que os sussurros de amor que recebe é mais do que gritos em seu coração.
beijo meu,
Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

Mariana, tive de ler seu texto antes de deitar e dormir. Perfeito, delicado e me conduzirá a uma noite de sono reparador pois estarei acompanhada por duas personas lindas que me ofertaram a beleza da poesia e do bem viver. Obrigada!
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eu fico feliz por isso! abraço meu ❤
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Que bom conhecer o silêncio redentor e um (lindo) ser mitológico bem perto de você, Mariana! O seu texto é como se fosse uma baforada de perfume e tranquilidade!
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Grata tanto, moço! abraço
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“(…) as flores dos ipês quando caem fazem silêncio, como se segurassem a dor de se despetalarem”. Que forma mais linda de se ver e se narrar!🤍
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Grata, minha flor! ❤
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Uma narrativa marcada pelo tonus da ternura . Maria
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Grata, Maria! ❤
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Menina Mariana, levei a tua missiva para enfeitar a minha tarde.
letras a enfeitar a rua-aconchego!! ❤
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Te abraço, menina nuvem. Sentes? ❤
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