Mari,
Quando me mudei para essa casa, meu guarda-chuva tocava as árvores da rua. Nesses quase vinte anos, chegaram na altura adulta e mal vejo as copas.
Tenho muitas histórias com as árvores da minha rua, uma vez, cuidamos de uma goiabeira quebrada. Colamos com seiva e fizemos ataduras, mas ela se recusava a sarar. Pensamos num plano de roubá-la numa noite escura, mas um amigo advogado nos advertiu do perigo que há em salvar, poderiam chamar a polícia ao ver as gravações da rua e assistimos ao seu fim silencioso.
E ninguém percebeu que a menina esguia que já estava na inflorescência, havia morrido.
No verão de 15, um raio partiu minha figueira. Parecia uma nau com seu rangido quando atraca.
Sofri com o vazio que ficou.
Dessas que vê na fotografia, são sobreviventes: muitas caíram ao longo desses anos, parecem não gostar das estações das chuvas.
Outro dia percebi que fizeram um coração com iniciais em uma paineira. Isso me doeu tanto quanto fosse tatuada em mim um amor que nem dura a infância de uma árvore.
Mari, já te contei que vou virar árvore quando me encantar?
Carta e fotografia de: Luciane Ricieri

Um dia também vou ser árvore , são tão fortes e seguras ♥️
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Que lindo! Que assim seja 😍
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❤️🤗😘🍀
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