Das palavras das cartas · Das rotinas

Carta direcionada para a esperança.

Mana,

minha caçulinha, eu ainda era menina e me lembro do dia que você nasceu. O céu era tão azul que eu cheguei a pensar que ele só tinha essa cor porque você tinha nascido. Todo mundo comemorava a Copa de 70 e eu e nossos irmãos comemorávamos teu nascimento.
Você não sabe o quanto te amo e o quanto te desejo o bem. Nas tuas escolhas, na tua vida, na vida de teus filhos.
Queria poder com palavras traduzir e talvez até consiga, mas ainda assim, acho que serão pequenas as dimensões que elas conseguirão passar.

Hoje, minha carta é escrita com toda esperança que existe em mim na sua cura e do nosso irmão Messias. Sei que essa máquina de hemodiálise será apenas um atalho e logo o transplante virá.

A vida é tão leve – assim como a água – e que ela seja vivida ao máximo. A umidade que precisamos ter seja em um copo com água ou na atmosfera do ar é apenas um agravante para que possamos dar valor ao que temos.

Que esse dia, minha irmã, seja de alegria em seu coração, mesmo que seja simplesmente por ter acesso a uma máquina de hemodiálise – há tantos e muitos que ainda nem tem – e que você valorize o instante. O agora.

Te amo muito. Você é minha caçula preferida… ops, é a única!

Feliz Aniversário!
Te amo muito.

Mariana Gouveia

9 comentários em “Carta direcionada para a esperança.

  1. A vida é tão leve – assim como a água – e que ela seja vivida ao máximo. A umidade que precisamos ter seja em um copo com água ou na atmosfera do ar é apenas um agravante para que possamos dar valor ao que temos.Amei este momento narrativo -Maria

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