deixar o corpo posto
em algum lugar
porto onde voltar
Eunice Arruda
Janes,
Um dia, eu te disse que o mundo pertence aos omissos, lembra-se? Eles não fazem nada e isso muda o mundo. Acho que foi nesse dia que você passou a me chamar de sua consciência – tipo o Grilo Falante da história do Pinóquio – e foi ali que nossa história começou.
Eu te vi tão menina, com uma criança ao peito, briguenta em um posto de saúde. Te odiei naquele dia e te amei. Não sabia nada de sua vida, mas percebi logo de cara que você era dessas mulheres valentes, que mesmo em desvantagem enfrenta o que tiver de enfrentar e usa o escudo da palavra solta de qualquer jeito, bravia e certa do lado que defende.
Depois disso, eu só te amei e você se tornou minha Jane e eu sua Tarzan – ooooooooooooooooo – e mais uma vez, essas histórias cruzam nossos rumos. Era improvável que a gente se desse bem, em mundo controverso da política… mas como você é tanto e muito entrou em meu coração e foi assim que me tornei realmente sua consciência – embora, em muitos momentos você não me ouvia – tapava os ouvidos e enfrentava o mundo e sua posição. Custasse o que custasse, mesmo levando broncas.
Em minhas memórias, eu vejo tanta coisa linda que a gente viveu. Tantas caminhadas, tantos colos, tantos abraços e choros juntas. E daí, eu fiquei sem você. Foi quando quebrou a promessa de ficar sempre perto de mim. Foi quando eu quebrei a promessa de que nunca iria embora.
Quebramos tantas promessas que fizemos uma à outra. Os seus caminhos foram para um lado onde eu me perdi. Fiquei como expectadora de suas conquistas, de suas lutas, de seus medos e fiquei aqui como porto seguro – um lugar onde pudesse voltar, se quisesse – e mais uma vez, a promessa de que voltaria não aconteceu.
Prometemos fazer seus tapetes preferidos nos sábados, o artesanato… de tomar café algum dia, repetir o cinema da série preferida, ir na cachoeira de novo e de novo mais uma vez as prioridades criaram novos rumos.
Mas quando você grita meu nome com tanto a no final, meu sorriso te alcança. Meu nome fica bonito quando você chama, ou escreve. O Marianaaaaaaaaaaaaaaa é respondido como o grito do Tarzan – oooooooooooooooooooo – e nesse momento parece que você nunca ficou longe, que sempre estava ali ao alcance das mãos e meus gestos te acolhe dentro do que precisa.
Essa carta é para reiterar o meu amor, relembrar as promessas feitas e dizer que meu coração continua sendo o porto para onde você sempre pode voltar, se precisar e que vou estar aqui ao menor sinal de mensagem para fazer valer a voz da sua consciência e para fazermos novas promessas, mesmo que não as cumpramos.
Te amo tanto!
Mariana Gouveia
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Ale Helga – Mãe Literatura
só porque ela precisa saber que estou aqui

Eis o último dia de Abril que fez jus aos versos de Eliot e foi cruel. Mas vamos em frente porque tive a sua companhia quase que diária, com MISSiva que ecoaram em mim. As vezes, eu me calei porque nem sempre dá para dizer algo. As vezes, e apenas silêncio mesmo. Eu sou assim e você sabe.
Ganhei um vaso de flor ontem e estão cá a olhar para mim nesse dia frio, de nuvens e ventos. A cortina não tem sossego. E eu vou pensar o meu último escrito e antecipar ao amanhã. Ao menos e o que pretendo. Bacio cara mia.
Te voglio molto benne
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anche io que te voglio tanto tanto benne!
Grazie por estar sempre aqui!
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