A noite pousa na pele à espera de estrelas.
Maria Sousa
“y nos iremos en um corazón que espera amarrado al borde de un precipicio”
Alejandra Pizarnik
Querida M.
… poderia dizer que a vida faz brincadeiras com a gente – digo isso pela forma inusitada que os fatos aconteceram em nossas vidas e tudo foi se encaixando como se fossem peças que estavam apenas esperando o local do pra sempre…
O pra sempre seu é em Paris, ma cherie… enquanto o meu é espalhar amor além mar.
Costumo dizer que o pra sempre não existe – e mais uma vez me pego repetindo clichês e fins e começos e recomeços – é tudo muito emocional dentro de nós… é tudo esse efeito borboleta dentro das asas…
Ontem a noite eu contei as estrelas enquanto lia sua resposta à primeira carta.
– aqui onde estou, as estrelas têm a dimensão do encanto – você disse – ao que eu respondo que o encanto é sempre onde estiver estrelas… Mesmo sendo dentro das meninas de seus olhos… Eu não sabia se ria e te chamava de boba como fazia antes e nas fotografias você continua igualzinha quando era menina…boba… Ou se chorava diante da palavra saudade…
Ver você perto da Torre Eiffel soa aos meus pensamentos a realização dos seus sonhos de menina.
Rio diante da frase inconstante que você repetia: melhor sofrer em Paris do que no calor daí…
Hoje choveu o dia inteiro…passei por acaso perto de onde morávamos…sua casa de frente com a minha e a janela ainda é azul e na cerquinha branca que pintamos um dia – hoje desbotada, quase sem cor – e dela pende aquela trepadeira que plantamos. Ali, foi plantado nosso segredo – que nada mais era que esse gostar de alma – e fiquei ali até a noite cair, aspirando o ecoar do seu riso diante do coração/folha que a vida borda diante de tanto gostar.
Teremos tempo de costurar as palavras uma dentro da outra? Teremos hora certa de contar os segredos que nos permeiam e nos envolvem? Poderemos colher asas dentro de nossas histórias?
Só a vida nos responderá até onde será para sempre…
Quem sabe te conto o segredo na próxima história…
Beijos,
Mariana Gouveia
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Ale Helga – Mãe Literatura
só porque hoje me lembrei dela…

Voltei no tempo e fiquei do outro lado da mesa a espiar a caligrafia elegante, ao som de Elton John que canta tyne dancer. Fecho os olhos e respiro fundo. O para sempre é uma equação que vive em certos momentos meus. Tudo ali é para sempre. rs
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eu compreendo perfeitamente…em mim, tantas coisas são para sempre, inclusive tu… que vive em em mim desde outros tempos… e posso provar.
Grazie tanto!
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