Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Querida A.
Eu já te contei que nunca vi o mar? Mas, que ainda assim, eu sou marítima? Que eu percorro em meu quintal o oceano inteiro buscando coisas que não lembro que vivi, mas que continuam intactas aqui, dentro de mim?
Isso me faz lembrar de quando eu era criança e fechava os olhos passando as mãos – ainda pequenas – no rio que margeava a fazenda do meu pai e dizia para minha mãe que eu estava no mar.
De mar, eu só entendia as ondas que ouvia nas conchas que vieram parar ali, no meio dos livros, em um baú, onde eu guardava meus tesouros.
Por muitas vezes, simulei meu encontro com o mar… e de como eu sentiria a brisa marítima na pele. E a maresia? Como será o cheiro dessa tal maresia tão cantada em canções e poemas? A areia fina sob meus pés e eu cantava ali, de frente para ele todas as canções de Caymmi que fala de mar… Ensaio tal qual um jovem cria versos e poemas de amor…
Durante muito tempo repeti os versos de Sophia que abre essa carta e nem preciso dizer que amo meu cerrado e sou adoradora dele e sei que é impossível que as duas coisas acontecessem simultaneamente… mas, já desenhei ele e o bordei em linho, para uma encomenda de artesanato. Era como se as ondas fluíssem para dentro de mim e isso se tornasse um sonho…
Enquanto isso, fico aqui sonhando… e quando chegar o dia, sei que estarei de olhos fechados, sentindo a brisa, a maresia mesmo tendo ensaiado instantes desde criança tudo vai ser diferente quando eu abrir os olhos diante dele.
Beijo,
Mariana Gouveia
Agosto é o mês de enviar cartas e de B.E.D.A
Participam desse projeto: Claudia Leonardi – Obdúlio Ortega – Lunna Guedes – Roseli Pedroso – Adriana Aneli – Darlene Regina
*Este post também faz parte do Projeto Blogagem Coletiva da Scenarium Livros Artesanais

Pois, minha cara… minha infância foi vivida de frente para o mar, que chegava a minha janela em ondas, passando por cima dos telhados. Mas o que encantava eram as asas das gaivotas e a maneira como arrulhavam.
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eu acho que vou me encantar com tudo! Não vejo a hora de isso acontecer. Mas, vai acontecer na hora certa. Bacio
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Mar… e Ana, vocês ainda não virão o mar material? Olha, é uma sensação de poder natural que, no mínimo, nos deixa reverentes diante de sua majestade. Espero que brevemente possa ter essa experiência!
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eu estou contando os dias e deixando para sentir tudo na hora. Abraço
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Lendo seu texto, pude sentir a brisa e o cheiro do mar. Coisa boa essa experiência. Quem sabe um dia, não estaremos juntas diante das ondas do mar? Fica aqui o convite. Estou bem necessitada dessa energia que somente o litoral nos dá.
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Eu iria adorar, Roseli, estar contigo nessa reverência… Quem sabe, né? Vamos deixar o destino tomar conta disso. Beijo
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