Querido Pedro,
Quis te escrever para falar da pedra que você me deu e lembro-me o dia e do que falamos na ocasião. Admirei a ônix – assim pensávamos que era – e detalhei para você o sentido da palavra e da misticidade que envolvia a pedra. Embora, acredite na simbologia da pedra/palavra e quando falava que uma de suas características é capaz de elevar nossa energia vital você me deu ela.
Dentro do abraço de amigo, a gente falou sobre os rituais e de que ela seria essa fonte de proteção do lugar, onde quer que estivéssemos… Acredito nisso… não importa onde estamos o elo fica no universo e volta em pensamentos bons.
Pois bem, a pedra, que por um acidente caiu de minha mão, lascou e como pode ver na foto que acompanha essa carta, mostrou que era apenas uma tinta que alguém passou e vendeu como se ônix fosse. Na hora, pensei em te ligar e falar sobre… não que fizesse diferença para mim ela ser uma simples pedra – pintada, claro – mas uma simples pedra… Ao invés de ligar, resolvi escrever. O moço da loja de artigos místicos te enganou e vem enganando tanta gente… Fiquei chocada, Pedro! Eu mesma comprei uma turmalina para presentear um sobrinho que ama as pedras, assim como eu e eis que numa tentativa de descobrir, joguei-a ao chão e não é que também era uma pedra comum?!
Mas, como não quero ser pedra no caminho de ninguém deixo que o destino cuide das pedras do caminho dele… e o que quero te falar é que apesar de não termos o mesmo contato de antes, e nossas conversas longas sobre, livros, pedras, espiritismo, tatuagens e donuts – que eu morro de vontade de comer – e combustíveis a energia vibrante que te ronda cabe aqui em mim em forma de oração.
Embora a cor da pedra real esteja longe de ser ônix, o significado dela permanece aqui. Riso farto, alma limpa, plantar e colher, ação e reação… essas coisas que acredito que o universo nos dá de acordo conforme o que pedimos.
Que você continue forte, inspirado e amigo… e as cores que te tocam na forma simbólica de alegria sejam as dos donuts mais deliciosos que comi.
Abraço carinhoso
Mariana Gouveia
Agosto é o mês das misticidades e de B.E.D.A
Participam desse projeto: Claudia Leonardi – Obdúlio Ortega – Lunna Guedes – Roseli Pedroso – Adriana Aneli –Darlene Regina

Lindíssimo texto, Mariana! Tanto as pedras no caminho, quanto as pedras mais raras ou as pintadas, têm a energia e a importância que damos a elas.
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Obrigada, moço! Tenho uma pequena coleção de pedras, que vou colhendo nos lugares/estradas por onde passo. Todas lembram uma coisa. Tenho caveira, cruz, disco voador, coração… tudo em pedra. Um dia, mostro aqui.
Elas me mostram a dureza da transformação e a beleza da mudança.
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Texto delicado, como você. Ser pedra no caminho dos outros, realmente não faz seu perfil. Ele é energia pura que você emana por onde passa.
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Muito obrigada, Roseli! Não tem aquela frase sobre juntar todas as pedras e fazer um castelo? Pois é…sigo ela à risca…. beijos
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Queria amiga, não vou esconder a surpresa em receber uma mensagem sua, e provar do carinho que só você é dona.
Há tantas coisas acontecendo em um intervalo de tempo tão curto, que pareço estar vivendo quatro vidas em uma só.
Mas fico muito feliz de poder revisitar essa vida, em um tempo já passado, mas com gostinho de presente. Já nem me lembrava dessa ônix “paraguaia” kkkk, mas como em um estalo de dedos, tudo volta à tona, e me faz, como num reflexo, olhar no espelho da alma e enxergar o que já fui.
Trabalho de Mago é manifestar sua vontade no mundo através da arte. E há muito abandonei a minha.
Também não posso culpar o mundo por se tornar um lugar apático, me privando de algumas emoções que inspiram.
…
…
Mas permaneço ali, como uma pedra. As vezes pedra no caminho, as vezes pedra no cachimbo.
Mas presente na vida de todos ali. Importante brilho não valorizado, mas essencial.
Sinto que também estou trincando. Porque assim como o vendedor tenho me sentindo um tremendo de um enganador. Apresentando aquilo que não sou de verdade.
Claro que não sou esse Pedro que vai diariamente para o serviço, produz, e vai embora… não orna comigo. Pedro cansado, que simplesmente exausto cai na cama e aguarda o outro dia.
Pedro distante dos pais e amigos, porque a rotina de trabalho o fez querer ser um basalto.
Duro. Sustentador.
Pedro é mais que isso.
É cristalizado, trabalhado, polido e esculpido.
E sua carta me ajudou a despertar, ainda que momentaneamente para o que sou. O Pedro no caminho.
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Fiquei a pensar no poema de Drumond… tinha uma pedra no meio do caminho. Mas você não quer ser pedra no caminho de ninguém. E eu lembrei-me da pedra que voa da mão de uma personagem e atinge a um pássaro. Fiquei cá a pensar quem era a pedra e quem era a pessoa, o autor que escreve ou o personagem que se oferece. Aff
Vou fazer um café que hoje a mente está fora dos trilhos. rs
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Hoje eu pensei em todas essas pedras, bambina… inclusive, em uma canção antiga que falava sobre o encontro das pedras.
No caso da pedra que voa, acho que a pedra é/era a personagem… que se mostrou na realidade, uma pedra no sapato. Você irá me entender.
Café feito… tomamos juntas?
Bacio
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