Querida Olga,
Eu nem queria escrever, porque as letras para mim são formiguinhas que vão e vêm em carreirinhas, iguais às costuras de minha avó.
Uma canção pede para que rasguem as cartas. Isso era do tempo de minha infância, quando na rádio lia as cartas que as pessoas escreviam.
Pediam canções, amigos, amores, encontros e especialmente, atenção.
Nunca precisei de atenção. Sempre chamei atenção. Esse jeito torto, vago e as flores do jardim. Me disseram que escrever é como se fosse fuga e me pego na noite amassando os papéis e repito com a cabeça na parede: quem disse que quero fugir?
Lembro-me de que alguém falou sobre cartas na infância. Os envelopes pardos a descrever sobre fatos…
Vejo apenas sombras no vulto… as figuras a embrenhar o muro como fuga. E essa leveza de quem apenas consegue respirar.
Feliz aniversário!
Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Ao término dessa carta, mesmo não sendo Olga, esboço um meio sorriso com um morninho aquecendo o coração.
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Você é uma querida! Grata tanto! ❤
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“Eu nem queria escrever, porque as letras para mim são formiguinhas que vão e vêm em carreirinhas, iguais às costuras de minha avó.” – terminasse o texto aqui, já teria valido a pena. Mas a pena prossegue a escrita e temos muito mais beleza. Lindo, Mariana!
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Muito obrigada, Obdúlio! De coração! ❤
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E agora estou eu a pensar em carreiras de formiga num jardim imaginário…
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estou tendo problemas com elas na roseira… rs
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