Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.
Oscar Wilde
Até onde as pessoas me alcançam quando atravesso a cidade e nossos olhares se cruzam – ou até nem cruzam – e me tocam na essência da alma? Busco captar alguns olhares e dentro dos gestos eles me tocam de alguma maneira. Vejo personagens que eram comuns na minha adolescência e que hoje são raros. Quando vi o menino engraxate, lembrei-me do meu irmão que logo que chegamos na cidade grande confeccionou sua própria caixa e foi para as ruas para ajudar nas despesas.
Em algumas andanças a coragem do moço que trabalha para a rede de energia me chama atenção e capto a singularidade e o desafio de lidar com a altura.
Meu olho vê o cenário triste que invade quase todas as cidades. Os invisíveis. É tudo tão desigual que me sinto mal ao retratar o que vejo, mas diante de uma encomenda para um jornal local, fotografo a realidade e a ironia na frase da placa.
A cena muda de lugar, e a realidade exposta em minha frente é um retrato cruel e me mostra o lado quase oculto das ruas da minha cidade.
Em contraste com o que vejo, a moça apita estridentemente para mim. Capto seu olhar e ganho um sorriso. Atravesso na faixa de segurança para pedestres e ganho um apito. A performance é para alertar sobre os acidentes de trânsito.
No ponto de ônibus, ele vende suas frutas. Já é conhecido por todos ali. Conta piadas, fala de novelas, BBB e futebol. Tem a fruta mais doce do mundo – confirmo que sim – e percebo que ele faz o seu melhor.
Esses são alguns dos personagens urbanos que meu olho acolhe. Alguns já se tornaram amigos. Outros, ganham minha solidariedade e acalanto. A vida e seus desiguais. Os iguais diante de tanta pluralidade.
Mariana Gouveia
Projeto Forográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Obdulio Nuñes Ortega, Lunna Guedes






Ah, que delícia de passeio, cara mia. Seu olhar foi bússola. Grata por essa condução.
Uma de suas fotos me remeteu a minha realidade local. Nessa semana, ao caminhar com a Jane pelas ruas do bairro, esbarrei em um rapaz que bebia água de uma poça. Estava maltrapilho e descalço. Tive receio dele. Percebi que algo não estava bem. Não sabia se as ruas, se as pessoas ou se ele mesmo. Nunca sabemos o tipo de fantasma que assombra o homem.
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Grazie, amore, grazie tanto por me proporcionar essas postagens por meio desse projeto incrível!
Cada mês é uma viagem.
Bacio
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Mariana, alguns personagens são mais assíduos do que outros, não importa o lugar. Os desvalidos, principalmente. Traço comum, e permanentemente incômodo.
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Isso é verdade, Obdúlio… Os desiguais se tornando comum. Infelizmente. Abraço
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