Guardou-me dentro das fotografias. Pendurou-me no lado esquerdo da porta. A chave, de cores variadas lembrava a conversa sobre os séculos habitados de ausências. Eu só queria dizer que choveu e que as cartas que foram esquecidas no baú, ganharam atenção em cada palavra. Os desenhos feito à mão e o eco do mar a desafiar minha lembranças das coisas. As poesias escritas por suas mãos cabem na minha saudade. Enquanto revirava o baú, fiquei ali confinada nas tuas fotografias de vento. Cabelo preso em alguma folha que lembrava um coração. A frase que você descobriu em um muro, era apenas motivo de quebrar regras. Quase ganhei asas nas tuas cores e sua voz ecoa feito onda do mar. Quando a janela se fechou, virei quadro caído na parede, inseto parado na mão e história para ser contada depois, como se o pretérito imperfeito fosse o ponto principal de um século inteiro que passou. A ave ecoa o silêncio na árvore seca. Tudo era solidão dentro da tarde onde as cartas viraram asas de papel ao vento.
Mariana Gouveia
*imagem: Nishe

eu ainda não escrevi cartas nesse janeiro. prometi que iria fazê-lo. mas apenas li as que estavam em meu baú. Tem alguns suas por lá.
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Acho que já escrevi umas 9 e seguiram caminhos diferentes. Algumas, já chegaram em seus lugares, outras, ainda sobrevoam o oceano.
Por acaso, hoje, reli algumas suas também.
Bacio
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