
Bambina mia,
Alguns gritos ecoaram na noite passada, pássaros noturnos rasgaram o céu do meu quintal. Se eu tivesse medo, diria que esses voos rasantes foram inspirados em uma noite de terror. Trovejou longe na tarde – achei que ia chover- e chamei teu nome… Mas, foi só uma nuvem passageira e o sol continuou em sua intensidade máxima enquanto as fragilidades secretas das palavras vagou entre o que é Plural e singular e eu lembrava das sementes que você gosta de estourar.
Enquanto te escrevo nessa manhã de sábado a vida acontece logo ali, na rua de cima. Ouço risos de crianças e resolvi dialogar com você através dos ecos que vem dali. Eles costumam brincar como antigamente. Jogam bolas de gude, amarelinha e empinam pipas. Às vezes, a rua de cima é invento meu… às vezes, não… Lá, na rua de verdade, vejo um menino que não ouve palavras comuns – e nem escuta o que eu digo – mas que entende o que mostro. Ou o que leio. Comecei a ler para ele nas sextas -feiras. Alguns silêncios só podemos ler em braile ou deciframos códigos que nem sabíamos saber.
Às vezes, é realidade bruta. As crianças empinam as pipas, que enroscam em fios de alta tensão e ali, se tornam esqueletos de pipas que ao menor vento fazem barulho enquanto o vô da casa amarela fica tão ranzinza que a rua fica quieta. E o menino que não fala, nem ouve fica espiando eles a correrem para lá e para cá, em busca da pipa perdida.
A minha rua é quieta como no dia em que o vô da rua de cima fica ranzinza – eu expliquei para ele a palavra preguiça dita por você e ele preferiu a ranzinza mesmo – com exceção dos passarinhos que se agitam e voam para a árvore do vizinho, depois que meu quintal ficou “pelado” de árvores.
Sobre a noite passada ainda, tem noite que a solidão é feita de asas e voa rua acima, noite adentro e eu só vejo as luzes azuis de tvs ligadas refletidas nas janelas com cortinas esvoaçantes na rua de cima. Isso me lembra o relâmpago que o céu reflete e penso no som do trovão e da vontade de chuva que tenho. Outro vulto de voo de pássaro me assustou… pensei em você e nas nossas conversas de pássaros.
Por acaso, você tem medo de pássaros?
Tem coisas suas que ainda não sei – ou até sei, quando suas histórias se misturam nas minhas – mas a vontade foi de mergulhar vermelho adentro quando um trovão ecoou longe, na noite passada e a lua estava magnífica em conjunção com Saturno e Júpiter. Dizem que hoje tem de novo… Vem ver comigo?
Bacio,
Mariana Gouveia
b.e.d.a — blog every day august —
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Cara mia… quase tarde de sábado por aqui e eu não vi para onde foi a manhã. Nem tomei café ainda. Nem tomei pesados goles de ar. Não fui a rua para um passeio de ruas com a Jane dog. Não sei se cantaram os pássaros. Creio que não. Já reparei que eles são como eu… não gostam de sol quente a caramelizar tudo que toca. O asfalto já exibe aquele ar turvo. E eu me afastei da varanda por causa do mormaço. Num dia sete graus e no outro quase trinta — subindo feito a pipa da linda fotografia dessa postagem.
Leio-te e escrevo-te ao mesmo tempo. Passeio por teus cenários e penso nessa rua de cima e em tudo que acontece nela — real ou não. Prefiro o que vem de ti e não da realidade, embora saiba que seja necessária.
Grazie pelo abraço nesse sábado — esse meu-nosso dia.
bacio
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amo tu ❤
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Beautiful picture! I love what you see.
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Thank you! Welcome!
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Eu amo as duas
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e as duas te ama também ❤
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