Das palavras das cartas

BEDA – Carta ao amigo

Querido Alex,

Eu já te contei das rotinas dos pássaros e de como eles repetem os gestos no meu quintal? Lembrei-me disso por causa dos seus gestos comigo… Do riso simples, da mão estendida e do olhar de acolhimento dentro dos dias.
Poderia enumerar as vezes em que a gentileza do seu olho me abraçou dentro da minha solidão e como foi casa e acalanto nos dias difíceis.
Sabe, muitas vezes, o seu silêncio companheiro foi presença enquanto eu brigava internamente com as coisas que não davam certo e você ali, feito olho do pássaro de todo dia como se dissesse: estou aqui – e estava – e bastava uma dúvida na sala ao lado e a presença era sentida e vivida.
Às vezes, dentro da palavra repetida em saudade é preciso dizer do carinho para então manifestar o agradecer na alma pelo simples fato de ter sua mão para ser pouso.

Mariana Gouveia
No bico do beija-flor beija a flor
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