Costuro as pontas dos dias nos olhos do pássaro de todo dia, que depois de uma – mais uma – briga pelo espaço chega sem penas no rabo. Mas voa com pose, de quem sabe costurar com o bico, o ninho.
Costuro o bordado no tecido enquanto ele me espia do varal e meu olho viaja para dentro das lembranças do tempo em que minha mãe costurava a colcha com o que sobrava dos tecidos das costuras que fazia e dos retalhos pequenos aproveitados no giramundo para segurar os filhos na arte.
Observo a costura do livro Lua de Papel III, que releio pela terceira vez e aspiro a destreza da artesã que transforma sonhos com papel, palavras e cetim e as memórias ecoam em poemas, poesias e arte dentro do que se pode costurar.
A vida é esse instante tão pequeno que passa feito voo de beija-flor ou linha entre um tecido e outro, uma agulha e o papel, um ponto arrematando o dia que aconteceu.
Mariana Gouveia
No bico do beija-flor beija a flor.

Você beija a flor e nós recebemos o mel…
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Obrigada! Você sempre querido comigo!
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