Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

navega-se sem mar, vela ou navio

andarilho

“Navegar é preciso; viver não é preciso”

Fernando Pessoa.

Querida Li,

Daqui, de tão longe e diante da janela que dá para o pé de manga carregado eu aspiro seus instantes, que tão gentilmente me cede.
Dou lugar ao carinho pelo simples fato de lembrar seu nome. Devo-te essa carta e esse abraço em forma de palavras. Devo-te diante de tantos momentos lindos que me desenhou dentro dos anos em que nos acolhemos uma na outra, mesmo tão distantes.
Li, navego pelo seu lugar olhando as imagens que me oferece e me encanto pelo riso de esperança do teu menino. Cada vez que o vejo o abençoo em nome da vida. A musicalidade do nome me chega à sintonia e aspiro suas montanhas em unidade com o Universo. Pedalo contigo rumo ao interior do seu lugar e sou levada pela sua mão serra acima e me divirto quando seu menino pássaro dá o amparo à vida.
Caibo inteira dentro desse seu céu e sou levada pela delicadeza do vento. Nesse momento sou tragada como se navegasse sem vela, mar ou navio. Crio asas e te chamo na intensidade da amizade.
Falamos tão pouco, mas mesmo em tão poucas vezes, nem precisamos dizer tanto. Uma sabe da outra e isso basta.
Não conheço o mar de perto, Li… Mas ele me encanta de tal maneira que todas as noites eu durmo além-mar. Navego sem cruzá-lo e ao mesmo tempo direciono meu leme onde o encanto me pega e nesse momento, Li eu navego sem mar, sem vela e navio… Eu navego de asas.

Beijos,

Mariana

Projeto ‘missivas
Scenarium Livros Artesanais

 

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