Afetos · Lunna Guedes

As aparências (des)enganam

Ph: Pinterest

Foi ao seu lado que a vi surgir na calçada em que andávamos. Ela caminhava em nossa direção e, em meio à multidão, se sobressaiu — toda de branco, parecia que tinha saído de uma nuvem, caminhando em câmera lenta.

Enquanto você me guiava pelos seus caminhos, eu a seguia com os olhos, completamente hipnotizada por aquela criatura andrógina, branquíssima e com roupas esvoaçantes. Imaginei um nome, um lugar e seus gostos.

Quando passou por nós… suspirei. Quase esbocei um sorriso. Ela passou… como se desfilasse aos olhos de todos, inclusive dos meus, deixando no ar um rastro de aroma cítrico — um pomar inteiro de bergamota, limão e lírios.

Imaginei uma conversa… sobre amenidades e livros.

Ela sumiu na multidão… em uma das ruas de Higienópolis e eu fiquei aspirando o perfume, no ar. Nossa caminhada continuou e, eu a procurá-la em cada pessoa que surgia. Prometi que se voltasse a vê-la, perguntaria pelo nome dela e confessaria o impacto que provocou em mim.

Toda vez que ligo a Tv… Há uma esperança de vê-la nas reportagens feitas nas ruas ou em matérias de jornais. Ainda não aconteceu. Talvez não volte a vê-la, nem mesmo quando voltar a São Paulo e visitar o mesmo endereço.

Se surgir, sei que a reconhecerei, ainda que esteja diferente. Nem tudo muda, algumas coisas permanecem iguais, como sempre foram.

Mariana Gouveia

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