Desde pequena fui instigada pela minha mãe a escrever histórias – ou coisas aleatórias – que eu havia presenciado ou vivido. Desde o que eu pensava do trieiro das formigas a caminho do formigueiro até o sentido da colheita.
Tudo era muito simplório onde nasci e vivi até os 13 – 14 anos e a professora que vinha da cidade todos os dias tinha que revezar entre as diversas crianças das mais variadas idades. Volta e meia ganhávamos livros doados por alguém que iria se desfazer deles e deixava na pequena igreja para chegar até nós. Para mim, em espacial, era um tesouro, mesmo os sem capas ou com folhas faltando e até isso gerava histórias criadas por mim.
Em uma das vezes que meu pai foi buscar os livros em meio a conversa com o padre foi dito sobre minhas primeiras incursões na escrita, o que gerou curiosidade do padre e sugestão de eu escrever uma história sobre a santa da cidade e seria encenado por nós, os alunos da fazenda.
Para isso e para o monitoramento do padre a gente ia duas vezes na semana para ensaiar a peça que falava da santa que ao morrer havia prometido uma chuva de rosas sobre o mundo. E fui eu, uma menina de 12 anos escrever – ou copiar as falas do padre – sobre pecado e perdão. Repetia a frase, escrevia e ensaiava sob os risos dos meus irmãos que iam mais pelas broinhas do que pela peça encenada em si.
Volta e meia o padre me deixava um suco e os biscoitos em um prato para me motivar e desaparecia por detrás das cortinas. Depois de chamá-lo por três vezes, a curiosidade de menina me fez ir até a sacristia e eis que o pecado dito tantas vezes em alta voz em missas e sermão estava em minha frente aos beijos com a beata que o ajudava nas missas.
Corri até onde estavam todos e fui dizendo alto sobre o que eu havia visto, enquanto o padre tentava me calar e dizer do meu engano, mas a cara da beata Terezinha – que tinha o mesmo nome da santa – revelava o pecado em pessoa.
Adianto que virou a fofoca da cidade com mais detalhes que eu não tinha visto e nem falado e a festa foi cancelada e o padre desapareceu da cidade. Para alguns, a história continuava com alguém dizendo que havia visto ou sabido do casamento, de filho e até de morte e minha história sobre a santa das rosas foi esquecida em um dos bancos da igrejinha da cidade.
Mariana Gouveia

Interessante, eu também tive um contato muito forte com a fé catolica na então capela do Padre Fernando, um de meus melhrores amigos e professor da vida. Padre Fernando tinha uma meta a construção do Santuário de Santo Antônio e Nossa Senhora do Rosário de Fátima, fui coroinha de Padre Fernando e adorava as procissões, sabia os cantos na ponta da lingua e ele também começou a me ensinar o Latim. Nas horas que não haviam missas ele sempre ia para o Clube jogar sinuca, tomar suas cervejinhas, fumar e com certeza ver as jovens belas que por lá desfilavam. Num desses descuidos da vida acabou por se envolver coma filha de Dona Laura uma matriarca carola de sua igreja e com ela teve um filho ao qual não abandonou nem a criança, nem a esposa e muito menos a igreja. Ele dizia sempre que o maior pecado era conter o sentimento interior e viver uma vida de amarguras. Antes de me casar levei minha futura esposa para ele conhecer e nos abençoar, sua benção já dura 40 anos e só não casamos na igreja que ele pastorava por motivo de locomoção dos convidados que ficaria muito longe. Enfim, Padre Fernando era contra o celibato e sempre pregou isso em suas missas, nunca houve nenhum impedimento por conta do Vaticano. Até hoje Padre Fernando é lembrado pelos frequentadores do Santuário e louvado como um santo vivo pelas benéfices que propagou durante sua vida.
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📝✨ **What a beautiful memory!** Being encouraged to write from such a young age really nurtures creativity and observation. 🌿🐜 Your reflections on ants and the harvest show how even simple moments can inspire wonder and storytelling. 💛📖
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Thanks!
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