Acho que já te falei dia desses sobre como meu silêncio é barulhento e de como meu quintal absorve a quietude de forma plena apenas em alguns momentos. Na parte da manhã, a passarada atravessa os desvios das árvores e cantam aqui.
Percebi que ultimamente, alguns barulhos me incomodam. O som alto da casa da vizinha da esquerda, as pombas arrulhando em cima do telhado, as buzinas estridentes de carros que atravessam a esquina sem observarem a placa enorme dizendo: Pare – o que volta e meia causa algum acidente.
Mas alguns barulhos me encantam e você já sabe quais são… as folhas sendo levadas pelo vento, a chuva caindo no telhado, os chilreios de Chiquinho e outras tantas coisas.
Gosto do rádio tocando as músicas que eu gosto, o chiado da chaleira a me avisar que o chá pode ser feito e servido.
Acho que posso dizer que não sou muito de silêncios, meu pai também não era. Quando ele se preparava para começar o dia ele ligava o velho motor rádio e saía cantarolando as canções antigas. O arroio das vacas leiteiras, onde ele chamava cada uma pelo nome, o grito chamando pelo nome de meu irmão para levar o balde… Os muxoxos, o palavreado com os animais… poucas vezes vi ele em silêncio, quieto, aproveitando uma sombra, enrolando um cigarro de palha. Mas aquela quietude dele incomodava todos nós. A gente preferia o vozeirão nos chamando era sinal de que estava tudo bem.
Já minha mãe era a quietude em pessoa. Olho grande expressivo, e até a velha máquina de costura parecia entender aquele silêncio. O rangido da tesoura a cortar o tecido e ela ali, com uma mansidão dentro, com as vozes inaudíveis da alma a suspirar em alguns momentos na janela. Quando me deparava com ela de olho terno sabia que o interior dela gritava tudo que ela não podia falar… mas, bastava um de nós dizer a palavra mãe ela abria os braços em um sorriso que mesmo em silêncio falava de todo amor que sentia por nós.
Mariana Gouveia

Sei que, às vezes, faz muito barulho no seu mundo, Várioas vezes ouço sua reclamação quanto a casa da vizinha… e adivinha, tenho uma vizinha barulhenta também. POr sorte não ouve música. Aprendo, no entanto, algumas-várias palavras novas. rs
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Os filhos da minha vizinha cresceram e ouvem funk agora… já a outra, músicas evangélicas. Nada contra ou tudo contra… rs
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