Depois da chuva a vida dança ligeira no quintal. Tem vento que balança as cortinas e leva as folhas para lá e para cá.
Tem o pássaro de todo dia, jeitinho de ave e bico molhado de chuva. Tem abril caindo direto na estação e trovão a cantar nome dentro da tarde.
Depois da chuva o vento que mora na árvore corre arteiro pelo quintal e esparrama a cores do outono aqui e ali… eu ouço canções de outros tempos e relembro a data que se repete na memória do tempo.
O dia era o dia proibido e a palavra da infância era o não.
Às vezes, a história do homem crucificado era exposta em fatos e dados reais. Meu pai tinha o poder de conduzir os “causos” e nos envolver dentro dos exemplos que ele nos queria passar e passou.
Alguns rituais eu sigo até hoje… Outros, ganharam minha própria interpretação.
A fé exposta nas palavras de amor… igual ao vento, depois da chuva… Igual ao pássaro de todo dia, com jeitinho de ave, bico molhado de chuva…
Mariana Gouveia
