*quote extraído do Coletivo Ao vento, todo dia – do texto de Nirlei Maria Oliveira

O cadeado abre a dor para o hereditário… o telhado abriga o pássaro gigante, no céu branco, ausente de nuvens e nem era noite de lua e no quadrante leste Saturno estava lá, em algum canto. Nem todo dia, o astro rege as marés, e nem coordena os desavisados ventos vindos do sul. Era para ser de chuva – o dia – mas, a previsão falhou no calendário. O bilhete no papel de parede dá o ar de indignação. Cadê os dias prometidos na busca da fé? Disfarçado de lugar comum – o pássaro – o vento alado ameaça voo e permanece… olho fixo no horizonte branco. A folha de papel pronta para a carta. O vento seco na estrada irregular… as cadeiras na calçada da vizinha vazias de presença nos ecos do nada. Era só rotina essas miudezas todas, enquanto a ave fica à espera da hora certa da fuga, com medo do voo.
Mariana Gouveia
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