* quote extraído do Coletivo Ao vento, todo dia — habitudes, de Adriana Aneli
O retrato fosco na estante, junto com as porcelanas empoeiradas… os livros mudos, sem que uma página sequer fosse lida. O corpo, intacto, como se não tivesse sido tocado também. Tentou se lembrar da última vez.
A sombra da mão estampada na parede lembrou os risos das irmãs em uma adivinhação antiga. A mesma voz a ecoar saudades em um sussurro constante. O corpo cede ao chão frio, como se fosse sombra também, sem memórias do que já viveu.
As coisas todas mudas – as paredes, as cortinas, as portas. Um vento assovia lá fora. É o único som que ecoa fora desse corpo. Buscou na lembrança o dia de hoje. Não soube… as datas fugiram com todas as coisas dela. O corpo sem endereço é a casa. A casa é o corpo que habito.
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais

o ultimo paragráfo me atingiu em cheio… tive que ler em voz alta.
Soou como um diálogo
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e foi… tu sabes que foi. Amo tu!
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