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Prazer, estranha

Na autonomia do dia as cores parecem estranhas. Miudezas agigantam no quintal. Recebo a visita do toque. A rotina não é a mesma da espera. Ontem o tempo mudou. A imunidade caiu. A moça de azul pediu cuidados. Desenhei seu nome mil vezes. Pintei corações no muro. Dizem que é o delírio da febre. A voz não sai mesmo na tentativa da canção.
O meu silêncio dedico ao toque. Faço mímicas. Ninguém compreende os sinais de saudades. É falta em tudo que é canto. Vontade de pouso em tua mão. O chá amargo avalia o dia. A estranha sou eu.

Mariana Gouveia

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