das coisas breves

fechei a palavra chave que havia aberto o mural do jardim através do silêncio.

Ph; Tumblr

Entre as nuvens e as estrelas… Clareia a pele com o efeito da dor. Os cabelos ralos, diante do espelho cria ondas em reflexos onde não me reconheço. Sou como a mulher da noite – que vagueia – de janela em janela, o riso molhado na loucura exposta – e a pele – a declamar ausência. Na penumbra a ecoar o silêncio que só as flores lilases conhecem.
Alguém disse um dia que a loucura é lilás e desbota na lucidez da dor.
As mãos a desenhar presença nas sombras da parede – monstros – que me atacam e acionam a alavanca do medo. O último pássaro a ecoar dentro da noite e o universo parecia definir cantata para a solidão. E ainda tenho a caneta lilás com a qual desenho as flores e a língua muda que não consigo traduzir enquanto fechei a palavra chave que havia aberto o mural do jardim através do silêncio. 

Mariana Gouveia

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