Das rotinas · Divã

A primeira vez em que o amarelo gerou a noite

O amarelo desbota na tarde quente. A árvore antecipa seu dourado antes do tempo. Cabia dimensões de estrelas na palma da mão. Ela quer falar sobre asas. Repete perguntas do ano passado. Distrai-se olhando pela janela. Eu falo do tempo lá fora.

Reconto as mesmas historias e ela acha graça – não se lembra do que contei – da borboleta e das rotas delas no meu quintal. O crepúsculo é logo ali e me perco no silêncio…

Aprendi a desenhar as fugas e respiro diante da tarde que se vai.
O relógio antecipa a partida e o vento carrega o amarelo para a noite.

Quem sabe, eu volte amanhã.

Mariana Gouveia

7 comentários em “A primeira vez em que o amarelo gerou a noite

  1. O amarelo que desbota na tarde quente cria uma atmosfera nostálgica, onde as histórias se entrelaçam com as asas das borboletas. A descrição habilmente tece a transição do dia para a noite, destacando a beleza efêmera do crepúsculo. A simplicidade das palavras evoca uma sensação de contemplação, fazendo-me sentir parte desse momento fugaz.

    Curtir

Deixe um comentário