Há solidão que é como um pássaro fixo na árvore sem folhas… os galhos a pender como garras a invadir o espaço e a alma a ouvir a canção que toca ao longe. A estação invade a tarde e o coração ocupado demais para amar. Há dias em que caminhamos para dentro da gente, refazendo caminhos, desenhando novas histórias. O outono despertou aqui e as folhas caem como se ficar ali, na árvore fosse penoso demais e o chão fosse o aconchego do colo. O outono aparece nesse sábado morno quase às vésperas do inverno, que não virá também – eu sei. As horas de fim de tarde trazem com elas um vento frio com o qual não me acostumo nunca. Há risos de crianças na rua, as pipas bailam no sol quase morrendo e o pássaro a gorjear na árvore morta, como se quisesse companhia enquanto descubro que seu canto pesadamente no galho, em um céu quase cinzento, quase noturno a anunciar chuva, e palavras que fogem dentro de mim só são ditas na solidão dos cantos das aves. Solidão é uma ave a pousar na árvore morta.
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

🩵
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❤
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Fiquei cá a olhar para o nada… a mirar o vento que faz a relva do outro lado da rua se mover. está quente e leio a respeito do outono, quase inverno e nem sei onde é isso. Que lugar é esse. Mas eu quero…
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Hoje o calor está insuportável e vim aqui, caminhar pelos posts antigos e responder comentários que curiosamente deixei de fazê-lo na época. Isso não se faz, Mariana. Não se faz.
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