Corredores, Codinome Locura

Das autonomias dos voos

Era ali, o meu palato inspirado na sorte, alguém falou sobre as notícias da noite e o dia nem acabara de surgir. As cortinas abrem para a janela lateral enquanto a canção ecoa no quintal.

O vento fresco anuncia a mudança da estação. Além do muro a esperança era escrita nas paredes pelas crianças.

Queria essa solidão de todos e o exílio das asas levando o vento onde pousava e os pés dourados a procurar segurança. Minha varanda tem vista para a floresta e as malvas a derramar aromas silvestres no quintal.

Todas as manhãs eu renascia dentro das autópsias de vidas que iam e revivia nos versos que elas me deixavam em relicários de voos que ainda não fiz.

Mariana Gouveia

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