Corredores, Codinome Locura

No fim do dia somos só sombra na parede.

Havia feito um tutorial sobre perdas. Seguiu à risca cada etapa, mas na hora h, quando o vento lateral veio com notícias de ida sem volta, esqueceu as regras ditadas por ela mesmo.
Abriu os braços e sentiu a falta. Deixou a dor entrar pelo peito e apagou o rito do nascer.

As asas perderam o sentido de voos e ficou cinza as coisas.

Lembrou de anjo, andou pela sala orquídea e depois chorou. Longe. Para que fosse amenizada a lembrança.

E se eu não for poesia amanhã de manhã? E se a metamorfose não fizer jus ao instante. O momento tão fugaz e ligeiro. E a morte a rasgar a pele e camuflagem de vida fora da casca. Quando amanheceu no outro dia, já eram duas formas de partida.

No fim do dia somos só sombra na parede.

Mariana Gouveia

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