me perco…
A primeira rua que tracei sob meus olhos era na verdade uma estradinha, logo para além da floresta de bambus. Para mim, era a rua que dava para a prainha, aonde a gente colhia areia para arear os alumínios da cozinha.
Eu e meus irmãos seguiam minha mãe com os sacos de pano para trazer a areia, que dava para os quinze dias que ela mesmo definia. As margens do riozinho que circulava a floresta produzia uma areia tão branca e fina. A minha mãe tratava aquele lugar como se fosse o paraíso e parecia mesmo uma rua na beira do rio.
As panelas, mesmo depois de usadas no fogão a lenha ficavam brilhando na prateleira de madeira, com os forros bordados por ela. No dia da faxina, cada uma das filhas cuidava de uma tarefa predeterminada. A areia, tratada quase como um tesouro era colocada em um pote e as louças iam ganhando brilho.
Talvez seja um dos lugares que mais sinto falta. Era lindo passar pela floresta de bambu e dar de cara com o rio e sua areia branca estendida como se abraçasse a água.
Depois disso, outras ruas me abraçaram e em quase todas elas me perdi, de uma maneira ou de outra,
Mariana Gouveia
Todas as ruas

Ora veja…ora vejam…das veis dá a impressão de que éramos vizinhos. Não sei você, Maria Ana Gauvensis (conferi num manual de nomeação latina de Carl Egger para lhe dar o nome dileto), mas, repito, parece que éramos vizinhos. Talvez fôssemos, talvez sejamos. Abraço, amiga minha, bruxa minha.
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Sabe, Gouveia seria uma aldeia e todos que lá nasciam seriam, por óbvio, “de Gouveia”. Entretanto, existem suposições sobre se a aldeia de “Gouveia’, situada na Espanha, teria o nome ancestral de “Gauvé”. Origem celta? Ibérica? Ninguém sabe. No entanto, se és Mariana, em latim, segundo o doutor Egger, serás “Maria Ana” (te mando o PDF se você quiser). E se vens de “Gauvé”, serás “Gauvensis”. Não obstante, vizinhos você e eu, ambos ibéricos.
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Quem sabe não era, né? Talvez sejamos, talvez…
Mas o Gouveia que tem no meu nome é herança do marido. De verdade, de verdade, sem o nome conjugado do marido – o Gouveia – a Mariana aqui é de Lourdes Silva. O Silva deve ter também um revés ibérico, não sei.
Mariana foi em homenagem à minha avó paterna que se chamava Mariana e a materna Ana Maria. Para tu ver que o Maria e Ana estavam em mim desde sempre.
Abraço carinhoso, moço!
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Então, segundo o Dr. Egger, deverias ser Maria Ana Fraga Silvae Gauvensis. Fraga por ser uma possível tradução do topônimo “Loudes”, talvez derivado do basco “Lorde”, escarpa, fraga ou penhasco. Todo caso, nomeada estás.
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Ou ainda, se é “de Lourdes”, poderia ser Maria Ana Fragaensis silvae Gauvensis.
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Nomeada me sinto! Abraços
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Eu passei por uma rua de bambus no interior de São Paulo, durante a pesquisa para Lua de Papel e aqui no Parque do Ibirapuera tem algo parecido…
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Vivi tantas sensações nessa rua de bambu. Ainda sinto o cheiro dela de vez em quando .
Bacio
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