na rua de cima – era ainda a manhã e o sol de todo dia – os ipês festejaram o vento e espalharam suas rosas e as paletas de cores a desenhar o céu.
As crianças brincavam na rua com seus gritos e falas apressadas. Um gato subiu no telhado e a ave de todo dia dormiu no varal que dançava com as roupas e seus prendedores…
Li Clarice em um instante do dia, uma frase qualquer, dessas que todo mundo repete por ser o dia do poeta – como se poeta precisasse de dia para ser – e tomei chá gelado.
Da varanda eu via as nuvens e sua pressa em correr o céu e as flores que ainda eram da árvore desprendeu – se todas e fizeram um tapete no chão.
E de repente, como se os ninhos fossem sobreviver à tempestade das coisas, veio a fúria do dia dentro do vento…
Alguém contou o que se passou sobre as águas… havia o menino tentando afogar os brinquedos na poça que se formou no quintal.
As mulheres recolhendo a roupa do varal e os muros sendo derrubados onde a parede morreu.
Como se a terra fosse feita de papel e as fronteiras com o medo fossem feitas de nada nenhum esculpimos as palavras em orações e alguém desejou a sorte do dia.
E onde o vento bateu fiquei sem saber o nome das árvores…
Foi quando o abraço conheceu o sentido do afeto.
Mariana Gouveia
das infinitudes

terra feita de papel e fronteiras feitas de nada. Fechei os olhos e sai para as ruas, subi até a esquina perto da feira (e hoje é sábado) e acenei para o ypê azul que sempre fala seu nome. Ele é um fofoqueiro, aviso. Mas não é uma árvore de estimação… rs
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Sempre começa assim, bambina…. quando percebemos a admiração já virou estima. rs
bacio
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