
Cortava a garganta
e não sangrava
o nome dela escorria boca afora
a pele dela desmanchando nos dedos
saía flor de sua alma andante
Nas paredes o nome escrito mil e quatrocentas vezes
o azulejo cortado em forma de coração
e no ar o perfume impregnado
os cinco sentidos explorando seu desejo de toque
a língua a umedecer o canto da boca
Na moldura, a imagem viva do que era
Abstrato desejo de amar
Mariana Gouveia